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O sonho missionário de chegar a todos!

O novo ano pastoral encontra-nos empenhados no caminho do Sínodo diocesano de 2016.

Para a comunidade da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto é um tempo favorável e propício para crescer na santidade e progredir na identidade do que somos enquanto igreja missionária. O desafio a assumir “o sonho missionário de chegar a todos” traduz-se em sair para as periferias, e tem em Maria Santíssima a companheira, a protetora, a guia e a referência do nosso caminhar.

Sínodo 2016
Realmente ela fez da sua vida uma peregrinação para Deus e foi esse Caminho que a tornou participante da vida de Seu Filho Jesus Cristo; levou-a a assumir, como seus, os desígnios e projetos de Deus; conduziu-a ao encontro das periferias. E que periferias são essas, para onde hoje devemos sair?

Nossa Senhora inspira-nos, porque Ela, que pertence precisamente ao “Centro” da vida e da história, esteve sempre nas periferias e percorreu as suas estradas:

► Desde logo porque nasceu e viveu em Nazaré da Galileia que, por não ter a importância duma cidade costeira nem ser estrategicamente relevante, passava despercebida, ficava esquecida, vivia isolada. Assim vivem tantos irmãos e irmãs na nossa terra, nos nossos prédios e até nas famílias, isolados e esquecidos.

► Visitou a prima Isabel que vivia na periferia dos sem-esperança (a idade avançada e a esterilidade não lhe permitiam esperar, ou sequer sonhar, um filho). Também hoje são cada vez mais, e de todas as idades e condições, os que já não têm esperança, dramática periferia onde devemos ir.

► Com José, seu marido, para se recensear, foi a Belém da Judeia, onde não encontrou lugar na hospedaria, vendo-se obrigada a ir para a periferia dos Sem-abrigo, e a dar à luz aí o seu Filho primogénito. Ser sem-abrigo é não ter lar, não receber o aconchego dum afeto, é estar nas periferias da dignidade humana. E será mesmo que não há irmãos «Sem-abrigo» na nossa terra?

► Quando Jesus fez doze anos, foram a Jerusalém pela festa da Páscoa e, ao regressarem, descobrem que o menino não vinha com eles, obrigando-os a ir à sua procura. Maria e José fazem a experiência de procurarem Jesus, vivendo uma verdadeira periferia! Quantos nossos conterrâneos não vivem nesta periferia de andarem em busca de um sentido para a vida, de um rumo… de estarem, tal como Maria e José, na procura de Cristo e de Deus!

► Nas bodas de Caná, Maria confronta-se com a falta de vinho, biblicamente símbolo da alegria e da Graça; falta que transformava a festa, onde deve reinar alegria e bênção, uma periferia de tristeza e desgraça. Quantas vidas, quantos lares, famílias… que se encontram nesta periferia da tristeza, do desencanto e da desilusão!

► Por fim, fora dos muros da cidade santa de Jerusalém, Maria viveu numa atroz periferia de sofrimento e dor pela condenação do próprio Filho inocente. E, junto à Cruz, instrumento de ignomínia e periferia de qualquer dignidade, aceitou ser a Mãe da Igreja, acolher na sua casa todos os que viviam nas periferias da solidão e do abandono para que junto dela, se sentissem filhos de Deus muito amados.

É, pois, com Maria e seguindo o seu exemplo, que a nossa comunidade viverá o sonho missionário de chegar a todos, saindo de si mesma para ir a todas as periferias da nossa terra.

O Pároco

Pe. Rui Valério, smm